Os Sábios enviaram Nachum Ish Gamzu ao imperador com um baú de pedras preciosas. Durante a viagem, ladrões retiraram o tesouro e encheram o recipiente com terra. Diante do imperador, a fraude parecia sentença de morte. Nachum disse apenas: Gam zu letová — também isto é para o bem (Ta’anit 21a).

O profeta Eliyahu apareceu sob a forma de um conselheiro e sugeriu que talvez aquela fosse a terra de Avraham, capaz de se transformar em armas. A terra foi testada numa guerra e o impossível se revelou útil. Nachum voltou carregado de presentes; os ladrões, imaginando possuir terra milagrosa, descobriram tarde demais que não se copia a providência copiando o pó.

Confiança não é ingenuidade

Gam zu letová não significa que todo ato humano seja correto. O roubo continuou sendo roubo. A frase declara que nenhuma ação consegue expulsar o Criador de Seu mundo. O mal responde por si; a Providência, porém, não perde o governo.

Na linguagem da Chassidut, a confiança modifica o recipiente pelo qual o acontecimento é recebido. Nachum não sabia como a salvação viria. Sabia diante de Quem estava. Essa certeza não explica o caminho; permite atravessá-lo.

Referências

  • Talmud Bavli, Ta’anit 21a.
  • Bereshit 14:14.
  • Keter Shem Tov, ensinamentos sobre confiança e providência particular.