Eden: onde o oculto começa
Eden e Gan Eden não são expressões idênticas: a Torá diz que o jardim foi plantado em Eden e irrigado por um rio que sai dele. A distinção revela Eden como fonte de deleite e o jardim como realidade preparada para receber seu fluxo.

O rio não nasce no jardim. Ele sai de Eden, atravessa o jardim e somente depois se divide em quatro braços. Esse detalhe de Bereshit muda tudo, porque mostra que Eden e Gan Eden não são dois nomes para a mesma coisa. Existe uma fonte, existe um jardim que recebe seu fluxo e existe um mundo para o qual as águas seguem depois de irrigá-lo.
O jardim é plantado em Eden: וַיִּטַּע ה׳ אֱלֹקִים גַּן בְּעֵדֶן מִקֶּדֶם, “O Eterno Deus plantou um jardim em Eden, ao oriente” (Bereshit/Gênesis 2:8). Poucos versículos adiante, afirma: וְנָהָר יֹצֵא מֵעֵדֶן לְהַשְׁקוֹת אֶת הַגָּן, “um rio saía de Eden para irrigar o jardim” (2:10). Eden, עֵדֶן (Eden, “deleite”), é o domínio do qual procede a irrigação; Gan Eden, גַּן עֵדֶן (Gan Eden, “Jardim de Eden”), é a ordem cultivada que recebe essa abundância.
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