Gilgulim: o retorno das almas
Gilgulim descreve o retorno da alma para completar uma retificação ligada à sua missão. O ensinamento não convida à curiosidade sobre vidas passadas, mas à responsabilidade diante da vida que Deus confiou à pessoa agora.

A alma pode retornar ao mundo porque uma tarefa permaneceu aberta. A Cabalá chama esse processo de gilgul, גִּלְגּוּל (gilgul, “ciclo”, “rotação” ou “retorno”); no plural, gilgulim, גִּלְגּוּלִים. A palavra descreve movimento, mas o centro do ensinamento não está no movimento entre vidas. Está na fidelidade do Criador, que não abandona a alma ao estado incompleto em que ela deixou sua missão.
Em português, gilgul costuma ser traduzido como “reencarnação”. A tradução ajuda o leitor a localizar o assunto, mas traz consigo ideias de outras religiões que não podem ser automaticamente importadas. Na Torá, a alma não gira dentro de um mecanismo impessoal nem retorna para dissolver sua identidade no universo. Ela pertence ao Criador, possui uma raiz, recebe mitzvot e participa de uma ordem de tikkun, תִּקּוּן (tikkun, “retificação”).
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