Um único fluxo, quatro graus

Atzilut, Beriah, Yetzirah e Assiyah são os quatro mundos da Cabala. Descrevem graus de manifestação e ocultamento, desde uma realidade inteiramente próxima da luz divina até o mundo da ação, onde a presença de Deus pode parecer escondida dentro da matéria. Não são lugares separados no espaço. São ordens de relação.

Yeshayahu reúne quatro expressões num versículo: “Todo aquele que é chamado pelo Meu Nome, para Minha glória Eu o criei, Eu o formei e também o fiz” (Yeshayahu 43:7). A tradição encontra aí uma alusão aos mundos: chamado pelo Nome, Atzilut; criei, Beriah; formei, Yetzirah; fiz, Assiyah. Um propósito atravessa todos eles.

A palavra olam, mundo, relaciona-se a he'elem, ocultamento. Cada mundo recebe a luz numa medida que lhe permite existir. Quanto maior o ocultamento, mais a criatura sente individualidade. Quanto maior a revelação, mais evidente é sua dependência da Fonte.

Atzilut e Beriah

Atzilut vem de uma raiz ligada à proximidade e emanação. Suas dez sefirot são recipientes inteiramente unidos à luz. Uma analogia é a ideia ainda unida à mente que a concebeu: possui direção, mas não se tornou frase independente.

Beriah significa Criação, especialmente yesh me'ayin, algo a partir do nada. Surge a primeira percepção de existência criada, ainda consciente de sua origem. O Tanya explica que mesmo o ser de Beriah permanece nulo diante da luz que o vivifica (Igueret HaKodesh 20). A novidade está na experiência de um recipiente que pode dizer “eu recebo”.

Yetzirah e Assiyah

Yetzirah significa Formação. O que foi concebido adquire relações e qualidades definidas. É associado aos malakhim e às emoções espirituais. Saber que Deus sustenta a vida pertence ao entendimento; sentir gratidão e reverência dá forma a esse saber.

Assiyah significa Ação. Inclui graus espirituais e alcança este mundo físico. Justamente aqui uma mitzvá pode ser cumprida com couro, alimento, moeda, tempo e palavras humanas. O nível mais oculto é o destino do processo: a luz desce para que a matéria responda.

Tefilin precisam de couro; tsedaká precisa chegar às mãos de alguém; o Shabat precisa entrar no relógio e na mesa. Assiyah é onde a vontade divina se torna fato.

Subir e descer pela oração

A liturgia foi compreendida como ascensão pelos mundos. As bênçãos matinais partem de Assiyah; os salmos elevam por Yetzirah; o Shemá conduz a Beriah; a Amidá corresponde à proximidade de Atzilut. Depois, a pessoa retorna ao cotidiano levando o que recebeu.

Subir significa reunir ação, emoção e entendimento até ficar diante de Deus; descer significa fazer essa unidade alcançar uma decisão concreta. Os quatro mundos ensinam que uma intenção elevada completa sua viagem quando chega à ação.

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Fontes verificáveis

  • Yeshayahu 43:7
  • Tanya, Likutê Amarim 2
  • Tanya, Likutê Amarim 53
  • Tanya, Igueret HaKodesh 20

Por Bruno, Casa da Cabala