Quantos céus existem?
A Torá chama o firmamento do segundo dia de shamayim, céus (Bereshit 1:6-8), e fala dos “céus e céus dos céus” (Devarim 10:14). Chaguigá 12b registra uma opinião sobre dois firmamentos e o ensinamento de Reish Lakish sobre sete: Vilon, Rakia, Shechakim, Zevul, Maon, Machon e Aravot.
Esses nomes não são andares físicos que um instrumento localizaria acima das nuvens. A Torá fala do céu visível e das ordens espirituais que ele permite contemplar. O Talmud associa cada firmamento a versículos e funções, formando uma subida do véu que renova a aparência do mundo até Aravot, onde justiça, vida e paz são reunidas diante do Trono de Glória.
Vilon, Rakia e Shechakim
Vilon significa cortina. Estende-se e recolhe-se, renovando diariamente a obra da Criação: “Aquele que estende os céus como uma cortina” (Yeshayahu 40:22). O mundo visível é uma abertura apresentada de novo a cada manhã.
Rakia é o firmamento em que estão sol, lua, estrelas e constelações (Bereshit 1:17). É a ordem dos tempos pela qual dias, meses e anos são marcados. O calendário judaico recebe o movimento celeste e o converte em Shabat, Rosh Chodesh e festivais.
Shechakim contém os “moinhos” que preparam maná para os justos, segundo Tehilim 78:23-24. O alimento do deserto descia diariamente e não podia ser acumulado como garantia contra o amanhã. Shechakim representa sustento que conserva a memória da Fonte.
Zevul, Maon e Machon
Zevul é o domínio da Jerusalém e do Templo celestes, com altar e serviço. O espaço sagrado na terra corresponde a uma ordem que o antecede; oferece medidas para a santidade habitar entre nós.
Maon significa morada. Ali grupos de anjos cantam à noite e silenciam durante o dia para que o louvor de Israel seja ouvido. A imagem confere peso à oração humana: uma voz deste mundo ocupa um lugar que os céus deixam aberto.
Machon é o depósito de neve, granizo, orvalho e tempestades. A natureza não aparece como máquina desligada do Criador. Suas potências estão dentro de uma ordem providencial, ainda que ultrapasse nossa leitura imediata.
Aravot
Aravot é o mais elevado. Nele estão justiça, retidão, tsedaká, tesouros de vida, paz e bênção, as almas dos justos, as que ainda virão ao mundo e o orvalho da ressurreição. Ali estão Ofanim, Serafim, Chayot e o Trono de Glória; acima de todos, o Rei vivo e elevado.
Vida e justiça, paz e bênção não são acessórios de uma realidade pronta. Pertencem aos tesouros dos quais ela recebe continuidade. Cada firmamento remove uma camada de autossuficiência: o visível é cortina; o tempo é serviço; o alimento é dádiva; o Templo possui raiz; a oração é ouvida; a natureza é governada; vida e justiça procedem do Alto.
Céu e responsabilidade
A bênção antes de comer liga Shechakim à mesa. A santificação do mês liga Rakia ao calendário. A oração liga Maon à voz. A tsedaká liga a mão humana aos tesouros de Aravot. O céu se torna conhecido quando sua ordem desce à conduta.
Os firmamentos educam o olhar. Acima de cada coisa que parece funcionar sozinha existe um grau de dependência, e acima de todos está o Deus Único, que não é contido por nenhum deles.
Continue a investigação
- Merkavah - conheça a visão que atravessa seres, rodas e firmamento.
- O Trono Divino - aprofunde o símbolo de soberania acima das ordens celestes.
- Gan Eden - explore outra linguagem tradicional sobre vida e proximidade da alma.
Fontes verificáveis
- Bereshit 1:6-8
- Devarim 10:14
- Yeshayahu 40:22
- Tehilim 78:23-24
- Chaguigá 12b
- Chaguigá 13a
- Yechezkel 1:22-28
Por Bruno, Casa da Cabala
