Rabi Eliezer de Amsterdam partiu para a Terra de Israel por causa de Rabi Nachman de Horodenka. Trazia uma certeza ousada: quando os dois estivessem juntos na Terra, fariam vir o redentor.

Ao chegar, os habitantes saíram ao seu encontro. Entre eles estava Rabi Shimshon, filho de Rabi Nachman. Rabi Eliezer perguntou imediatamente pelo pai.

“Partiu para fora da Terra.”

Rabi Eliezer lamentou: “Eu vim por causa dele.”

Dois caminhos que não se cruzaram

Quando Rabi Nachman soube que Rabi Eliezer viajara para a Terra de Israel, apressou-se em regressar. Mas antes que chegasse, Rabi Eliezer faleceu.

O relato termina no desencontro. Não descreve o que os dois planejavam fazer nem oferece uma explicação para o atraso. Conserva apenas o movimento: um atravessa o mar para encontrar o outro; o outro retorna depressa; entre ambos, a morte fecha a estrada.

O fracasso aparente impede que a narrativa se transforme em fórmula messiânica. A redenção não pode ser produzida pela reunião técnica de duas figuras, por maiores que sejam. O desejo era santo. O tempo permanecia nas mãos do Criador.

A Terra como ponto de encontro

Para os primeiros chassidim, a Terra de Israel não era cenário simbólico. Era lugar real de mitzvot, risco, viagem e esperança. Rabi Gershon de Kitov, cunhado do Baal Shem Tov, também se estabelecera ali. A carta da ascensão da alma foi dirigida a ele. As fontes deveriam espalhar-se “para fora”, mas sua água não perdia a direção de Jerusalém.

O Baal Shem Tov tentou realizar a própria viagem e não chegou ao destino. Seus discípulos continuaram a mover-se. Há missões cuja verdade não depende de seu acabamento na vida de quem as inicia.

Rabi Eliezer e Rabi Nachman não se encontraram como esperavam. Ainda assim, cada um deixou seu lugar por causa do outro e por causa da redenção. O caminho incompleto tornou visível a intensidade da espera.

Talvez seja essa a parte mais inquietante da história: homens podem caminhar com toda a força na direção correta e ainda assim chegar tarde para determinado encontro. Isso não torna inútil a viagem. A fidelidade não é medida apenas pelo momento em que as estradas se cruzam, mas pela direção à qual cada passo foi entregue.

Referências

  • Shivchei HaBesht, relato “Na Terra Santa traremos o redentor”.
  • Carta do Baal Shem Tov a Rabi Gershon de Kitov.
  • Keter Shem Tov, ensinamentos sobre redenção e difusão das fontes.
  • Tehillim 126.
  • Yeshayahu 2:2–3.