O Baal Shem Tov e Rabi Zev Kitzes haviam criado dois órfãos e acertado o casamento entre eles. A jovem crescera na casa do mestre; o rapaz, na casa de Rabi Zev. Para o dote, o Baal Shem Tov prometera duzentas moedas de ouro.

Chegou o dia. Antes de o noivo seguir para cobrir o rosto da noiva, Rabi Zev declarou que não avançaria enquanto o valor não fosse entregue. O mestre perguntou, quase rindo, se ele não confiava em sua palavra. Rabi Zev respondeu que precisava sustentar o rapaz para que estudasse: sem farinha, não há Torá.

As duzentas moedas não estavam ali.

A cobrança de mil

Nesse momento chegou Rabi Leib Kreminer. Um comissário recebera carta de um senhor distante exigindo do Baal Shem Tov mil moedas relacionadas ao resgate de cativos. Se a dívida não fosse quitada imediatamente, Rabi Leib seria levado em correntes.

O mestre mandou preparar a carroça e ordenou que ele partisse sem sequer voltar para casa. Não lhe entregou dinheiro. Apenas insistiu que regressasse a tempo da cerimônia.

Diante do credor, Rabi Leib afirmou confiar em sua honestidade e pediu que os cálculos fossem refeitos, para que ninguém incorresse em roubo. O homem examinou os registros, rasgou a nota da dívida e a lançou ao fogo. O resultado era inverso: ele devia ao Baal Shem Tov precisamente duzentas moedas.

Rabi Leib voltou com o valor. Parou no caminho para narrar o prodígio e, enquanto isso, o Baal Shem Tov o repreendia à distância por perder tempo. Quando finalmente chegou e tentou contar o ocorrido, ouviu apenas: “Eu sei. Entrega depressa as moedas; está tarde.”

O prodígio não era o centro

O relato poderia terminar na inversão impossível das contas. Mas o Baal Shem Tov não permite que o espanto atrase a mitzvah. O dinheiro tinha destino: honrar a palavra, proteger os órfãos e permitir que uma casa fosse fundada.

Depois da entrega, ele alegrou os noivos como um badchan, um animador de casamento. Aquele que parecia mover acontecimentos distantes ocupou-se em fazer rir.

A providência não entra na história para engrandecer o mestre. Ela restitui o valor devido e conduz duas pessoas à chupá. O segredo das moedas é que chegaram exatamente quando deixaram de ser riqueza e se tornaram responsabilidade.

Referências

  • Shivchei HaBesht, relato “Duzentas moedas para o casamento”.
  • Pirkei Avot 3:17.
  • Talmud Bavli, Ketubot 17a.
  • Keter Shem Tov, ensinamentos sobre confiança no Criador.
  • Tehillim 37:5.