Faltavam matzot e carne para Pessach. Israel ben Eliezer preparou o animal, percorreu aldeias, realizou o trabalho necessário e retornou com farinha e alimento para a festa. Então começou a chover. A farinha molhou e fermentou. Tudo precisaria ser refeito.

Ele verificou novamente a faca, partiu na direção oposta e conseguiu outra carga. Já perto de casa, uma montanha interrompeu o caminho. O cavalo não conseguia puxar a carroça. Israel desceu e começou a empurrá-la, dividindo com o animal o peso da farinha.

No meio da subida, o cavalo morreu.

Quando terminam as soluções

Não podia abandonar a carga. Era a farinha de Pessach, obtida depois de a primeira ter sido perdida. Israel tomou sobre si o esforço do animal e puxou a carroça. Continuou até não ter mais força.

Parou ao lado dela e chorou diante do Criador.

O relato chama esse momento de sua primeira revelação. Não aconteceu numa sala preparada, nem quando o futuro mestre procurava experiências extraordinárias. Ela veio quando o serviço concreto havia consumido todas as possibilidades. O homem precisava levar alimento kasher para casa; o Céu encontrou-o dentro dessa responsabilidade.

Adormeceu enquanto chorava. Em sonho, apareceu Eliyahu HaNavi e lhe disse que suas lágrimas haviam sido aceitas e sua oração recebida. Um homem seria enviado para conduzir a carroça.

O estranho que já vinha pelo caminho

Quando despertou, chegou um não judeu com dois cavalos. Chamou-o pelo nome e ordenou que amarrasse a carroça à sua. Levou-o até a casa. Depois pediu o couro do animal morto como pagamento pelo trabalho. Outro homem compraria aquele couro por quatro moedas e recomendaria que o casal se vestisse para a festa.

O auxílio não caiu do céu como objeto sem história. Veio por meio de pessoas, animais, troca e caminho. A revelação não eliminou o mundo; mostrou que o mundo podia tornar-se mensageiro.

O choro na montanha não foi desespero vazio. Foi o ponto em que a força própria cessou sem que a responsabilidade fosse abandonada. Israel não deixou a farinha. Apenas reconheceu que já não podia carregá-la sozinho.

Muitos procuram o primeiro sinal do Baal Shem Tov em seus feitos públicos. Shivchei HaBesht o encontra antes, ao lado de uma carroça imóvel. O mistério começa quando nada se move, o cavalo está morto e a montanha parece ter dado sua sentença. Ali, uma lágrima abriu passagem para aquilo que já vinha ao seu encontro.

Referências

  • Shivchei HaBesht, relato “A primeira revelação”.
  • Shivchei HaBesht, relatos do período de ocultamento.
  • Melachim I 19:11–12.
  • Tehillim 56:9.
  • Keter Shem Tov, ensinamentos sobre oração e providência particular.